domingo, 13 de abril de 2008

O homem que pensava ser bom


Era o senhor do mundo. Do seu mundo. Homem pequeno, voz, metálica, mas com poder. Conseguira tornar o seu país auto-suficiente. Tinha tornado o seu país num país de gente culta.Sim, dera cultura, educação, saúde a todos. Era bom.

Decidiu mostrar a sua grandeza ao mundo. Construiu palácios e com eles criava emprego. Um palácio da ciência onde cientistas investigavam com os recursos dignos dos países mais desenvolvidos, o palácio da imprensa, o palácio do povo de onde governava e teimava em receber todo e qualquer cidadão que de algo precisasse.

Tinha terminado com o crime na capital e controlado os nómadas que teimavam em ocupar os terrenos baldios à volta da cidade.

Fizera reviver o teatro, a ópera, abrira bibliotecas, construira caminhos de ferro e estradas e dotara os centros urbanos dos mais avançados meios de comunicação.

Um dia, sem saber por quê, os estudantes revoltaram-se na segunda cidade do seu pequeno mundo. Logo a manifestação se estendeu à capital.

Diante do seu palácio, milhares gritavam palavras de ordem, sob o rigoroso Inverno do seu país.
Houve sangue, muito.

Era dia de Natal. O incompreendido senhor do mundo, que dera a glória ao seu país, era perseguido por aqueles a quem dera cultura e educação.

Com a mulher, mete-se num helicóptero para escapar da fúria do país que construira com muita dedicação. Detiveram-no. Tratavam-no como a um animal. Queria saber porquê.

No meio da confusão, dos ânimos exaltados, dos gritos, distingue uma frase: “Que Deus nunca lhes perdoe.”

Segue-se um estrondo e sente uma dor aguda no peito. Cai ao chão e vê o seu mundo, a sua gente, desvanecer à sua frente.

4 comentários:

geocrusoe disse...

Será que ele se julgava mesmo bom?

Diabba disse...

Hummm falamos do nosso rei assassinado juntamente com o filho?

beijo d'enxofre

Melões Melodia disse...

Geocrusoe - As vezes o poder tolhe a percepcao das coisas e acredito que grande parte dos ditadores, estivessem a fazer o que achavam melhor para o seu pais. Este tera sido um dos piores que a historia conheceu na Europa do Sec. XX, ainda assim, creio que por tras levava o fundamento de fazer o melhor pelo pais e pelas gentes, apesar da corrupcao do poder lhe limitar a percepcao de forma a nao impedir de ver o mal que fazia.
Um abraco

Diabba - Nao. Falamos do sujeito do retrato
Beijocas.

Diabba disse...

Ok, nem olhei bem para a "foto", já descobri quem era o senhor ;-)

Mas olha que a foto está identificada como sendo um tal Jackson, quando na verdade o dito senhor se chamava Nicolae.

beijo d'enxofre