sábado, 26 de janeiro de 2008

Tempo

Do lat. tempu-, «id.»
s.m.1. sucessão de momentos, horas, dias, anos, em que se desenrolam os acontecimentos; 2. parte da duração ocupada por acontecimentos; 3. período contínuo e indefinido no qual os eventos se sucedem; duração;4. época em que se vive; 5. período considerado em relação a determinados acontecimentos; época; conjuntura; 6. duração limitada (em oposição ao conceito de eternidade); 7. momento propício; ocasião; oportunidade; 8. época própria para certas actividades; estação; quadra; 9. período determinado para a realização de algo; prazo; 10. falta de pressa; lentidão; demora; vagar;


Muitas vezes achamos que o tempo resolve todos os problemas. Já o diz a sapiência popular.
Mas o tempo é uma das maiores problemáticas que nos rodeia. Molda-nos sem darmos conta, como moldou civilizações e religiões. Já o diz Yourcenar no seu belíssimo conjunto de ensaios: “Le temps, ce grand sculpteur”, uma bela selecta de textos em prosa (poesia, diria eu) em que vemos o tempo como o maior (mas não melhor) escultor de todos os tempos.

Quando temos grandes decisões a tomar, principalmente as difíceis, deixamos o tempo correr e adiamos a decisão o mais possível. Foi assim, e assim será, porque esperamos que o tempo nos dê uma solução mais fácil. E nunca chega!

Já todos caímos no erro de deixar o tempo passar, mas como maior escultor, o tempo também é o mais implacável.

E o mais terrível é que o tempo molda a nossa apreensão de realidade de uma forma imperceptível. Quando olhamos para algo uma segunda vez, mesmo numa fracção de segundo, já não é o que vimos antes. Afinal, nada do que vemos é real. Está moldado pelo tempo. Mesmo o teclado em que escrevo é agora diferente do que quando comecei a escrever. Tem mais suor, e está imperceptivelmente mais corroído pela erosão do meu toque e do tempo.

Também o céu que vemos à noite não existe, porque o tempo tardou em trazer-nos a informação e tudo o que vemos são factos passados. Não existe o agora ou o presente. Existe o passado e o futuro.

Assim também o tempo actua sobre a nossa vida, os nossos sonhos. Vai corroendo numa erosão impercetível. E se esperarmos que o tempo actue por nós, quando olharmos à nossa volta, só veremos ruínas.
Publicado aqui em 31 de Maio de 2007